sábado, 18 de fevereiro de 2017

Dúvida Existencial

Ó Centro, meu gerador, por que me repele com essa força que mantém meu corpo afastado? Resta-me perambular pelos cantos estreitos e calçadas esquecidas, me equilibrando em paralelepípedos incongruentes como tudo o que sinto invadir minhas razões sempre tão pálidas e frágeis. Eu, fruto do que nunca alcançarei, sou do tempo em que a semente já foi plantada e brotou. A bela árvore cresceu e dela nasceu o esperado fruto que completa sem jamais estar completo, entende? Meu ciclo começa pela metade, o louco aprendeu e perdeu o êxtase de uma nova jornada. Eu caí verde e apodreço rápido enquanto meus restos se desintegram para servir de material orgânico para a próxima vida. Ela não lembrará de mim. Por mais vital, note que meu papel é obscuro como a deusa Hestia que acolhe quem precisa ser acolhido e que dela não abre mão. Sua presença é exigida assim como é ignorada. Sua originalidade inspira, mas a ela não é dedicada. Regida pela Lua, tendo a me esconder no esquecimento de um mergulho profundo. A água me transpassa, pois sou água. O vento não me leva, pois sou vento. A terra não me aceita, pois sou incorpórea e nós incorpóreas é que devemos aceitar e não buscar braços alheios que por mais que nos queiram só conseguem abraçar brumas que largam solidão e lembranças efêmeras. Quanto mais forte o desejo, mais distante eu estarei, então despeça -se o quanto antes enquanto volto para cuidar de quem me tem, a quem me entreguei, como se dá uma jóia a uma moça que a guardará como bem mais precioso e sairá somente com bijuterias que chamam menos atenção, ao som de melodias da caixinha de música mais querida e intocada. Ah, já sei! O final se junta ao começo e o Centro é moça e a moça é Centro. Aqui está uma (im)possível resposta a dúvida existencial que é tão forte agora como será fraca outro dia qualquer no qual me sentirei tão próxima a você que viraremos um só. A moça que abraça a árvore nascida da semente plantada no cerne do segundo dia de Julho.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Não seria maravilhoso?

                                                                           
                     
                                                                               ♡

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Destino,

permita que eu recupere as minhas verdadeiras "almas afins"? 
Aquelas que me tocaram fundo e que se sobrepuseram a minha.
Aquelas cujos corpos fizeram contato com o meu desde remotamente, daquele jeito natural e espontâneo. Daquele jeito infantil.
Hoje retornei para o meu meio após uma fria volta. 
Quero brincar e encostar. Dar as mãos. Correr pela fazenda rumo ao entardecer. 
Quero a troca de olhares entre duas crianças atraídas uma pela outra, sabe? Com inocência, com frio na barriga e felicidade extrema. 
Hoje voltei a enxergar forte e sentir as cores.
É tão bom gostar e fazer carinho... É tão bom ser curiosa novamente...
Meus braços estão abertos para o presente, porém a perda dos que ficaram no passado ainda é latejante como se fosse um desperdício.
Mas meus braços estão abertos como as suas asas e é uma sensação estonteante estar de volta, um êxtase sem igual que faz com que eu me perceba voando enlouquecida com a imensa quantidade de possibilidades que se dividem em correntes diversas. 
Por um momento acredito que tudo faz sentido. Neste breve ápice de prazer o impulso é aprender tudo o que há para ser aprendido em uma vida só na Terra. Todos aqueles "bruxinhos", não importa de qual categoria (certamente pertenço a alguma) de repente são os mais sãos do mundo e o resto deve ser salvo e amparado para que possam abrir os olhos e destrancar os sentidos.
Socorro, Destino. O instante está passando... Se distanciando.
Segure-me! Permita que eu fique?
Começou a chover e a água vai lavar os desenhos no chão.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Ela passou anos se desfazendo de tudo o que não era dela. 
Só sobrou a última e pequenina boneca russa.
Ela mesma. Sozinha. 

Agora, essa boneca russa sabe que é minúscula e vulnerável demais para passar seus dias solitária, sem proteção.
Ela descobriu que ficou tão leve, mas tão leve, que basta uma simples brisa para soprá-la looonge...

Mas, hoje em dia, ela já adquiriu um pouco mais de peso, pois percebeu que, desde que tenha consciência, pode continuar incorporando as cores de fora para se completar, adaptando-as as suas próprias cores, criando novas misturas, novos sabores. 

A Boneca Russa passou a aceitar as pessoas, concordando ou não com elas e, por isso, passou também a amá-las! E esse amor está preenchendo o corpinho dela e se expandindo para fora, tornando-a maior, mais forte e aquecida.

Foi-se o tempo de se despir!
Bem-vindo seja o tempo de Incorporar!